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Uma medalha que vale e representa muito mais do que ouro

Em 28 anos muita coisa pode mudar. E, provavelmente, muitos dos que estão lendo este texto sequer eram nascidos há 28 anos. Outros tantos eram tão pequenos, como eu, que a memória infantil não fixou o momento no qual Fidel Castro entregou as suadas e merecidas medalhas de ouro às meninas de ouro Magic Paula e Hortência. Muita coisa mudou desde aquele dia em 1991 e agora, quase três décadas depois, nós todos tivemos a chance ver, rever o ouro estampado no peito das mulheres brasileiras. E que mulheres.

Olhando friamente a campanha brasileira neste Pan-Americano parece que foi fácil chegar à final diante da sempre temida seleção americana. E, cá entre nós, universitárias ou não, elas sempre estão entre as favoritas e isso se deve muito a pontos que, por aqui, em terras brasileiras, parecem não importar tanto: apoio, investimento, profissionalismo e estrutura. E foi justamente por esses motivos que muita coisa mudou nesses 28 anos.

Campeãs invictas, é assim que as mulheres do Brasil voltam de Lima. E elas fizeram história. Por conquistar o título após 28 anos, por conquistar a medalha de maneira invicta, por vencer, na final, a seleção americana – fato que não acontecia desde 1999 – tida sempre como uma das favoritas. Por superar obstáculos invisíveis aos olhos de quem esteve assistindo até a madrugada, elas fazendo história.

A cada passe, a cada infiltração, a cada toco, as mulheres do Brasil nos ensinavam o quanto é difícil, mas possível, superar o descaso com o esporte. A cada cesta elas nos ensinavam e nos mostravam o quanto é urgente e necessário que se valorize o esporte. A cada jogo vencido no Peru, elas nos mostravam o quanto as mulheres que batalham para permanecer no esporte precisam de apoio e investimento.

A conquista em Lima é muito maior do que o mais alto lugar no pódio. Acreditem, é possível. A maior conquista de Aline Moura, Clarissa, Débora, Érika, Isabela Ramona, Izabella Sangalli, Lays, Patty, Raphaella Monteiro, Stephanie, Tainá Paixão e Tati Pacheco é provar o quão gigantes elas são, o quão guerreiras elas são. Elas mostraram e provaram, mais uma vez, o quanto são capazes de superar e passar por cima de cada obstáculo para, simplesmente, jogar basquete. O que, no nosso país, demanda muito mais energia do que simplesmente querer.

Esse ouro precisa ser comemorado, ele merece ser muito comemorado, especialmente por toda a luta que cada uma dessas mulheres trava, diariamente, para chegar onde estão. Para vestir a camisa de um clube, para vestir a camisa da seleção, para vencer com a camisa da seleção.

Essas 12 mulheres não possuem à sua disposição a estrutura das europeias, por aqui não há o apoio, incentivo e divulgação que se esbanja em terras norte-americanas. Tudo isso valoriza ainda mais essa medalha? Sem dúvida. Mas, que o Brasil aprenda a não se escorar no talento, garra e determinação das suas atletas. Que o país aprenda a valorizar e incentivar o esporte feminino e que não continue fazendo com que a batalha seja maior fora da quadra do que dentro dela.

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