Botafogo

Léo Figueiró: “Vamos jogar de igual para igual com qualquer equipe no Brasil”

Foto: Vitor Silva/Botafogo

Recentemente o time do Botafogo apresentou o elenco para a nova temporada e tive a oportunidade de conversar com o treinador Léo Figueiró sobre o aprendizado dele no curso na Espanha, a montagem do elenco e entre outros pontos.

Confira a seguir como foi esse meu papo com ele.

Felipe Souza – Você já tinha comentado aqui na apresentação sobre sua viagem pra Espanha e sabemos que você usa algumas jogadas tradicionais lá da Europa, aqui no Botafogo. O que você deve aperfeiçoar no seu jogo, com o que você viu lá? 

Léo Figueiró – Foi boa a viagem na questão de confirmar algumas ideias que eu já aplico, justamente por acompanha-los. Sou membro da associação espanhola de técnicos, então tenho acesso a esse conteúdo há bastante tempo e reforçar o que já vínhamos fazendo. Os detalhes, eles são técnicos inteligentes, com uma visão muito profunda do basquete, tem detalhes que eles passaram pra gente que fazem toda a diferença nesse sentido. E na verdade eles deram aquele estímulo para que eu pudesse criar em cima daquilo.

Cada time é um time, mas as ideias podem ser aperfeiçoadas e adaptadas para o seu time, então quando você fala de bloqueios, as ideias são muito bacanas. Se o time não está levando uma vantagem tão grande no trabalho de pick and roll ou o time tem uma troca muito forte, o “set a screen” realmente abre espaço e nós vamos adaptar ao que nós estamos fazendo, com certeza. 

Felipe Souza – Olhando como scout e acompanhando como os técnicos lá de fora fazem, não é só o treinador entender como funciona o bloqueio. O jogador também precisa entender e ter essa leitura dentro de quadra para, quando houver o bloqueio, ele fazer o pick and roll ou até mesmo o pick and pop e alguma movimentação ofensiva. Com os jogadores que você tem a disposição, você acha que eles ainda precisam evoluir nesse sentido? 

Léo Figueiró – Sempre pode ficar melhor, na verdade o que a gente fala é o timing, então não é só o cara que está com a bola, mas também o que está vindo fazer o bloqueio. Em qual momento ele vai chegar, por que ele vai chegar, então não adianta só eu saber, tenho que passar pra eles e, assim, eles acreditarem que isso é positivo. Mas é muito bacana você vê um sentido, que horas o jogador vai agredir, por que vai agredir e qual é a ideia. 

Felipe Souza – Essa temporada você vai ter dois pivôs um pouco diferentes. Na temporada passada você tinha o Maique e o Ansaloni, mesmo o Ansaloni pontuando com algumas bolas de três, ainda eram pivôs mais pesados, que ficavam mais dentro do garrafão para buscar os rebotes. Essa temporada você trouxe com o Du Sommer que é mais leve e tem o Lucas Mariano que é ótimo no bloqueio, principalmente para a infiltração do Cauê e do Coelho. Você quando traz esses jogadores já pensa nesse tipo de jogada ou foi uma oportunidade de mercado? 

Léo Figueiró – A contratação do Sommer foi totalmente cirúrgica, dentro do sistema de como a gente joga. É um jogador mega inteligente que vai funcionar de uma maneira muito boa pra gente. O Lucas Mariano pelo talento que tem, pela presença de garrafão, pela versatilidade também por que ele tem um bom arremesso, mas principalmente por que ele pode abrir espaço para as pessoas que jogam perto dele. Ele pode puxar a marcação e abrir o jogo pra quem está fora, para poder ter um “close out” nos arremessos. Então foi bem pensando nisso, que o Wesley Sena que é um jogador versátil, tem um bom chute de meia distância, sabe trabalhar de costas. A ideia foi exatamente fortalecer o jogo dentro do garrafão pra conseguirmos alternar mais ainda, às vezes a gente ficou muito aberto ano passado, principalmente nos jogos mais físicos. 

Felipe Souza – Ainda falta um arremessador, é isso? 

Léo Figueiró – Estamos em busca ainda dessa última peça, mas estamos com bastante calma, pode ser 1-2 ou 2-3, a gente está entre essas duas posições. Temos o Rafael que trabalha com a gente, ele está na Summer League, temos contato com ele direto, analisando os jogadores e mandando pra gente. Temos jogadores no mercado nacional também que estamos mantendo contato e também tem o mercado argentino, então vai sair daí.

Na Argentina, quem a gente queria ficou inviável por conta da rescisão, estamos buscando, mas com bastante calma por que a base do time está montada. O time já tem uma cara, então não precisamos nos precipitar. Vamos com calma, mas sendo pontual, sem atropelar e fazer uma boa contratação.

Felipe Souza – Com o Jeci na comissão técnica, que é um cara que estuda muito bem a defesa, ajudou na contratação do Sommer, já que ele passou pelo Limeira na mesma época que o Du Sommer ou não? 

Léo Figueiró – Na verdade, o Du Sommer já era uma vontade minha, mas com certeza tem uma empatia com a nossa equipe pela presença dele. Eu acho que é muito bom eles terem essa sintonia, o Jeci e o Du Sommer se deram muito bem na categoria de base, mas ter o Jeci aqui é muito mais importante do que isso. Ele é realmente um cara super competente, que tem minha inteira confiança, pensa da mesma forma, caminha pro mesmo lado. Então, acho que é o assistente que todo mundo precisa, é um cara de confiança, que tem a mesma filosofia e que realmente faz a coisa acontecer também.

Felipe Souza – O Botafogo chegou até a quarta posição na temporada passada, é normal que, na minha opinião, o clube começar a olhar os rivais que ficaram entre os quatro melhores. Vendo assim, Flamengo foi um time que se reforçou muito bem e de forma atlética e física. Trouxe o Zach Graham que estava no Brasília, um jogador muito forte fisicamente, e o Leron Black, um jogador que também é forte e pontua de três pontos. Em algum momento, eu sei que não dá pra contratar pensando no adversário, mas você acredita que com o time que tem agora dá pra ter jogo com o Flamengo?

Léo Figueiró – Na verdade, a gente precisa pensar no caminho que queremos traçar, por que o Flamengo consegue isso, e pela história que vem traçando há anos, então eles tem uma facilidade maior do que a nossa para contratar. Então a gente tenta tudo que podemos fazer, mantivemos a base e reforçamos o rodízio. Acho que aí sim é importante, por muitas vezes ano passado a gente perdia o gás por não ter um rodízio muito grande. Então a gente fez questão de aumentar o rodízio com qualidade, acho que isso é importante para sermos uma equipe competitiva. Acho sim que somos uma equipe competitiva e vamos jogar de igual para igual com qualquer equipe no Brasil. É assim que estamos trabalhando. 

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