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Saiba quais foram os melhores prospectos do FIBA Americas U16 2019

Foto: Divulgação / FIBA

Texto por Gabriel Andrade

Foi realizado em Belém, no Pará, entre os dias 03 e 09 de Junho o FIBA Americas U16, torneio a nível continental de base que dá vaga ao Mundial Sub17 da Categoria. Jogando em casa, a Seleção Brasileira desapontou ao terminar com o módico quinto lugar, sem nenhum prospecto brilhar, mesmo após sair vitorioso no Sul-Americano Sub15. Acrescentar a parte central e norte da América sobe o nível do sarrafo atlético e de diversidade física em que o Brasil foi incapaz de lidar, parecendo menos atlético e mais baixo que a maioria das principais seleções do torneio, incluindo a rival Argentina. Contudo, outros atletas brilharam em suas respectivas seleções, com destaques para Canadá e Estados Unidos, que desfrutam de programa consolidados e estão em um nível muito acima, sobretudo físico, dos adversários do continente. Neste texto, vamos falar brevemente sobre os melhores prospectos do torneio, que poderão pintar no Draft no futuro.

Christopher Livingston

Foto: Divulgação / FIBA
  • 14.8 pontos, 8 rebotes (3.4 ofensivos), 1 roubo de bola e 1 toco em 19.5 minutos por jogo
  • 1,96 metros de altura
  • Two-Way Wing
  • Outubro/2003

MVP da Competição, o explosivo ala mostrou várias facetas do que se pede de um ala defensivamente versátil na NBA moderna. Dono de braços longos, habilidade atlética refinada, capacidade de salto de elite e grande instintos no setor defensivo da quadra, mostrou grande senso de posicionamento para rebotes e utilizou de seus impressionantes atributos físico-atléticos para atacar a tábua ofensiva com agressivo para pontos de segunda chance. Além do mais, possui capacidade apurada de leitura defensiva para distribuir tocos na defesa de cobertura e defender múltiplas posições, projetado como alguém capaz de marcar de armadores a ala-pivôs no próximo nível. A evolução de seu inconsistente chute e capacidade técnica de finalização vai ditar seu potencial na outra extremidade da quadra.

Jalen Duren

Foto: Divulgação / FIBA
  • 10.3 pontos, 8.2 rebotes (4.8 ofensivos), 1.7 assistências, 2 tocos e 62.5% FG em 18.4 minutos por jogo
  • 2,06 metros de altura
  • Rim Runner/Shot Blocker
  • Novembro/2003

Eleito para o quinteto ideal da competição, o pivô Jalen Duren é moldado como um monstro para esse nível, combinando altura, grande envergadura, explosão vertical, capacidade de correr a quadra como um atleta de perímetro e um corpo já muito forte para alguém com meros quinze anos. Nenhum jogador durante o evento foi tão impactante protegendo o aro, seja rotacionando do lado contrário ou na defesa de cobertura. Além do mais, possui velocidade de pés para permanecer de frente contra atletas de perímetro e não ser atacado em situações de mismatch. Ofensivamente, seu jogo se resume a putbacks, enterradas via pick-and-roll e cestas em transição, deixando de converter, inclusive, bolas fáceis ao redor do aro que exigiria, apenas, melhor refino técnico. Tem um jogo moldado ao estilo Clint Capela de pivô longo, forte, defensivamente versátil e limitado no ataque.

Adrian Griffin

Foto: Divulgação / FIBA
  • 13.5 pontos, 4.3 rebotes, 2.8 assistências, 3.3 roubos de bola e 36.3% 3PT em 18.4 minutos por jogo
  • 1,98 metros de altura
  • Two-Way Versatile Wing
  • Agosto/2003

Uma das principais armas de desafogo estadunidense, Adrian Griffin, filho de um assistente técnico do Toronto Raptors, é um ala atlético, de braços longos, extremamente agressivo na defesa e que possui versatilidade ofensivamente, capaz de enxergar a quadra e puxar a bola em transição para dar bons passes. Além do mais, revela primeiro passo explosivo e ótima velocidade em quadra aberta para atacar o aro com tenacidade. Também não possui vergonha de arremessar de três pontos, incluindo em transição ou em situações de spot up, com mecânica de arremesso veloz, ainda que precise de reparos (a bola parece sair próxima a sua cabeça). Seu estilo versátil nos dois lados da quadra é um bom encaixe para basicamente qualquer equipe, facilmente projetável a longo prazo.

Jabari Smith II

Foto: Divulgação / FIBA
  • 13.8 pontos, 6.2 rebotes (2.7 ofensivos), 54.7% FG e 36.8% 3PT em 18.0 minutos por jogo
  • 2,03 metros de altura
  • Versatile Scoring Wing
  • Maio/2003

Um pontuador extremamente eficiente, Jabari Smith combina vantagem atlética, tamanho e refino técnico para se mostrar um pontuador de muito destaque, acrobático ao redor do aro em finalizações com as duas mãos no reverso, utilizando de seus braços longos para estender os movimentos. Fora que possui um chute bastante confiável quando recebe a bola parado, ainda que careça de versatilidade, relutante a arremessar em movimento. Capaz de pontuar de qualquer lado da quadra, ainda lhe falta mostrar capacidade mais desenvolvida de passe, pouco criativo quando procura a cesta, pode sofrer de visão de túnel. Na defesa, pode parecer indiferente em diversas posses de bola, falta um pouco de foco, embora possua claro potencial para ser um defensor versátil, capaz de defender múltiplas posições, no futuro.

Shaedon Sharpe

Foto: Divulgação / FIBA
  • 13.0 pontos, 3.7 rebotes, 2.3 assistências, 78.9% 2FG e 68.0% FG em 21.6 minutos por jogo
  • 1,90 metros de altura
  • Uber-Athletic Straight Line Driver Wing
  • Maio/2003

Jogador mais atlético do torneio, Shaedon Sharpe possui um tipo raro de atleticismo, extremamente saltitante sobre um ou dois pés, alvo automático para ponte-aéreas em cortes fora da bola ou em transição, capaz de produzir lances furiosos quando está infiltrando. Sua explosão e velocidade lhe dão incrível potencial como finalizador, quase não erra arremessos próximos ao aro. Em infiltrações, também utiliza de sua capacidade de salto para finalizar por cima dos adversários e me manter vertical para alterar a bandeja no ar e, mesmo assim, fazer a cesta. Ainda utiliza de maneira sólida sua habilidade atlética para quebrar defesas e dar bons passes, embora não possua controle de bola avançado para lhe auxiliar. Defensivamente, é projetado como defensor versátil para as três posições do perímetro, joga com dureza e disciplina na retaguarda. A chave para seu desenvolvimento é evoluir como chutador, um parte não-existente em seu jogo por ora.

Caleb Houstan

Foto: Divulgação / FIBA
  • 22.8 pontos, 5.3 rebotes, 1.7 roubos de bola, 44.0% FG, 32.4% 3PT, 6.2 3PTA e 8.8 FTA em 28.8 minutos por jogo
  • 2,05 metros de altura
  • Tall Wing Motion Scorer
  • Janeiro/2003

Principal pontuador do Canadá, Caleb Houstan dominou completamente seus adversários antes da partida final, contra os Estados Unidos, em que pudemos notar melhores boa parte de suas fraquezas. Um ala alto, com altura de pivô para essa idade, se mostrou um dos pontuador mais versáteis do torneio, sobretudo no que diz respeito a seu arremesso – de mecânica compacta, rápida e alta, difícil de ser contestada. Seu chute é versátil e Houstan é agressivo em seu approach, não hesita em arriscar bolas em movimento ou após pequenos dribles, como stepbacks. Vice-cestinha da competição, ele ainda gosta de atacar a cesta de frente, seja buscando um arremesso ou uma infiltração, vai muitas vezes a linha de lance livre. Contudo, embora fluido enquanto atleta, não é um jogador explosivo, sofreu para criar separação contra os atletas norte-americanos. Seu controle de bola também é mediano, não parece ser projetado como um criador primário de jogadas para o próximo nível, sobretudo por carecer de visão de jogo ou um grande QI de Basquete. Defensivamente, possui potencial para causar impacto com versatilidade, mas jogou com certa indiferença neste setor da quadra no torneio, o que também pode ser resultado da grande carga ofensiva que era responsável.

Gael Bonilla

Foto: Divulgação / FIBA
  • 16.2 pontos, 14.3 rebotes (3.0 ofensivos), 4.7 assistências, 1.7 roubos de bola e 4.5 tocos em 36.3 minutos por jogo
  • 2,04 metros de altura
  • Defensive Playmaker Strecht Four
  • Fevereiro/2003

Astro da limitada seleção mexicana, o Combo Forward do Barcelona mostrou para o mundo um pouco de seu jogo que vem fazendo sucesso nos torneios de base espanhóis. Poucos homens de garrafão possuem sua versatilidade nos dois lados da quadra, ao combinar inteligência, altura, fluidez, controle de bola e instintos muito apurados. Adora atacar a cesta de frente, da linha dos três pontos, para chegar ao aro ou dar passes com um arsenal apurado e inteligente. Na defesa, seus braços longos e instintos avançados de posicionamento o tornam uma grande ameaça cortando linhas de passe ou bloqueando chutes do lado contrário. Possui ainda velocidade de pés para defender atletas menores longe do garrafão, além de ser um grande reboteiro, que faz boxout e assegura ressaltos para sua equipe. No ataque, deverá ser beneficiado do desenvolvimento de um arremesso mais confiável da linha dos três pontos, ou de um jogo de costas para a cesta mais avançado. A falta de força também faz diferença, dificuldade para explorar mismatches, ainda mais como era muito sobrecarregado.

Jean Montero

Foto: Divulgação / FIBA
  • 30.3 pontos, 9.5 rebotes (4.7 ofensivos), 3.2 assistências, 3.3 roubos de bola, 43.6% FG, 73.7% FT, 9.5 FTA em
  • 32.3 minutos por jogo
  • 1,88 metros de altura
  • Change of Pace Scoring Guard
  • Julho/2003

Cestinha da competição com duas partidas fazendo mais do que 40 pontos, ambas contra a Argentina, incluindo uma na disputa de terceiro lugar que garantiu a vaga no Mundial Sub17 (49 pontos, 12 rebotes e 6 roubos de bola), o produto da NBA Academy da Cidade do México mostrou todo seu estilo de cestinha explosivo e agressivo, que carregou a República Dominicana nas costas com seu controle de bola extremamente avançado, capaz de fazer hesitações, mudanças de velocidade e direção com ambas as mãos, dar crossovers e ludibriar seus oponentes de diversas maneiras. Quando a defesa passava por trás do bloqueio, era capaz de punir com um chute após o drible rápido e compacta, assim como punia defesas mais conservadoras com um floater bem calibrado da meia distância. Apesar de não muito alto, possui braços muito longos, capaz de estender finalizações ao redor do aro para conquistar bandejas em ângulos difíceis. Para melhorar no ataque, poderia adicionar um passe mais apurado e criativo, o jogo fica muito concentrado em suas mãos. Jean ainda causou muito impacto na defesa sendo agressivo nas linhas de passe e batalhando por rebotes nas duas tábuas, parecia estar em todo lugar da quadra, mas precisa adicionar mais força para não ser um alvo defensivo no próximo nível pela altura e magreza.

Ryan Nembhard

Foto: Divulgação / FIBA
  • 14.3 pontos, 9.0 assistências, 2.5 desperdícios de bola, 2.0 roubos de bola, 46.0% FG e 84.2% FT em 26.9 minutos por jogo
  • 1,80 metros de altura
  • Floor General First-Pass Guard
  • Março/2003

Irmão de Andrew Nembhard, outro destaque da base canadense que atua por Florida Gators no Basquete Universitário, Ryan é um paciente lead guard que se destaca pela tomada de decisões quase impecável, que resulta em excelente índice de assistências por turnover, sobretudo nesse nível de competição. No pick-and-roll, revela-se capaz de mudar de velocidade e manipular defesas para conseguir passes para o lado contrário ou demais companheiros bem posicionados. Adora dar o passe extra para colocar seus colegas em posições de cesta fácil. Gosta de invadir o aro e busca bastante sua pontuação através de um jogo de meia distância baseado em floaters e arremessos próximos da linha do lance livre. Com seu controle de bola e jogo de pés avançado, consegue criar separação em jogadas individuais, com destaque para um polido stepback. Contudo, trata-se de um arremessador relutante para três pontos, que as defesas se sentem confortáveis de passar por trás dos bloqueios e dar bastante espaço. A falta de capacidade atlética também o limita como finalizador ao redor do aro. Na defesa, joga com tenacidade e dureza, mas faltam-lhe atributos de elite para dar-lhe versatilidade e capacidade para maior impacto.

DJ Jackson

Foto: Divulgação / FIBA
  • 10.3 pontos, 3.2 rebotes, 1.8 roubos de bola e 44.4% 3PT em 19.7 minutos por jogo
  • 1,90 metros de altura
  • 3-and-D Wing
  • Março/2003

Quase nunca com a bola em mãos, DJ Jackson mostrou-se um sólido ala defensivo, agressivo e tenaz na defesa utilizando seus braços longos e disciplina para defender 3 posições no perímetro, enquanto fazia seu papel de chutador de três pontos na outra extremidade da quadra, com destaque para sua capacidade de se realocar no perímetro para se desvencilhar da defesa, sempre em movimento. Falta em seu jogo mais criatividade após o drible ou para dar passes, unidimensional no ataque.

Enoch Boakye

Foto: Divulgação / FIBA
  • 8.8 pontos, 10.8 rebotes (4.2 ofensivos) e 53.7% FG em 22.7 minutos por jogo
  • 2,06 metros de altura
  • Mobile Rebounding Center
  • Março/2003

Enorme, veloz para a posição e muito forte, Boakye era um terror das tábuas, atacando os rebotes utilizando sua vantagem de tamanho e músculos. Além do mais, conseguiu, ao longo do torneio, completar uma série de jogadas em transição puxando a bola da defesa para o ataque, é um jogador bem coordenado. Por outro lado, bastante limitado ofensivamente, com visão de túnel e nenhuma capacidade para encontrar companheiros livres na linha de três pontos ou cortando para a cesta, reage com certa lentidão; assim como também não é um bom finalizador em não-enterradas. Na defesa, não utiliza seu tamanho e braços longos para proteger o aro, assim como não é um bom defensor de perímetro, um pouco frustrante na retaguarda.

Amari Bailey

Foto: Divulgação / FIBA
  • 13.2 pontos, 4.2 rebotes e 3.0 assistências em 21.2 minutos por jogo
  • 1,93 metros de altura
  • Secondary Playmaker Guard
  • Fevereiro/2004

Um dos principais criadores de jogadas dos Estados Unidos, Amari Bailey é um ala-armador canhoto e agressivo, que comete uma enormidade de desperdícios de bola, mas é acrobático e refinado utilizando sua mão esquerda próximo ao aro, não tem pudor de buscar oportunidades ao redor do aro, ainda que seja cego de esquerda. Um dos jogadores mais jovens da competição a ter muitos minutos na rotação, contribui bastante nos rebotes para facilitar a transição e é um jogador atlético. Defensivamente, não possui a mesma projeção da maioria dos americanos, decepciona nos instintos e na capacidade de coletar estatísticas neste setor da quadra.

Agustin Ubal

Foto: Divulgação / FIBA
  • 19.3 pontos, 6.7 rebotes, 1.3 roubos de bola, 1.0 toco e 51.6% 2FG em 33.4 minutos por jogo
  • 1,97 metros de altura
  • Scoring Secondary Handler
  • Julho/2003

Muito sobrecarregado na limitada seleção uruguaia, Agustin Ubal é um ballhandler alto, esguio, de braços longos e que adora buscar o jogo próximo ao aro e de meia distância, com eficiência surpreendente para alguém que teve tanto a bola em mãos. Possui um avançado jogo de floaters e bandejas técnicas, consegue utilizar sua altura como vantagem nessas situações. Bom reboteiro para a posição, é agressivo em transição e busca acelerar o jogo. Por outro lado, não possui capacidade atlética de elite, o que limita como defensor e criador, assim como desperdiça muito a bola em visão de túnel e por ter tido demais a bola em mãos, mais do que o recomendado para as suas capacidades.

Lucas Sigismonti

Foto: Divulgação / FIBA
  • 8.0 pontos, 2.5 rebotes, 50.0% 3PT e 5.3 3PTA em 16.0 minutos por jogo
  • 2,01 metros de altura
  • Tall Gravity Shooter
  • Agosto/2003

Destaque tardio da seleção da Argentina, Sigismonti basicamente teve o papel de arremessador, arremessando quase 12 bolas para 40 minutos e chutando meros 6 arremessos de 2 pontos durante toda a competição. Sua versatilidade e agressividade como arremessador é impressionante, com gatilho e rápido, alto e compacto, que utiliza de seu tamanho para arremessar por cima dos oponentes. Ainda mostra capacidade de receber a bola já no alto para armar o arremesso em pouco tempo, a defesa pode dar pouquíssimo espaço. Seu aproveitamento justifica seu uso excessivo neste papel. Nos outros aspectos do jogo, é até difícil avaliar Lucas, pouco driblou, passou a bola ou era exigido de fazer outra coisa, senão arremessar. Por outro lado, ter errado todos os chutes de dois pontos pode ser um indício disso, ainda que a amostra seja baixa; Atleticamente, não é um grande produto, sendo sua grande questão em projeções para os próximos níveis.

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Felipe Souza é o criador do site HSBasketballBR, Blog do Souza e é co-criador do Live College BR. Ele escreve para o site americano D1Vision, para a Liga Super Basketball e tem textos no Bala Na Cesta. Faz trabalho de Scout nas horas vagas e acredita que o estudo diário do basquete, faz dele um profissional melhor.

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