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A Jogada Que Te Marcou – Vitor Galvani

Seja bem vindo ao segundo texto da série, A Jogada Que Te Marcou. Nessa série eu converso com diversos técnicos do país e peço que eles tragam uma jogada que marcaram eles de alguma forma.

Por que normalmente os torcedores lembram de um título marcante, de uma equipe ou até mesmo de uma geração, mas poucos sabem qual foi a jogada desenhada que funcionou para que esses momentos viessem.

Para o primeiro texto da série, eu tenho a honra de poder conhecer a jogada que marcou o treinador Galvani.

Natural de Joinville, ele é graduado em Educação Física pela Universidade da Região de Joinville (Univille). Atualmente é assistente-técnico do time principal e treinador do sub-19 do Corinthians. Trabalhou por 7 anos na equipe da Associação dos Amigos do Basquete de Joinville, atuando como treinador de categorias de base e assistente técnico do time profissional. O último time que ele treinou antes de se transferir para o timão, foi o Tênis Clube de Campinas. Ele também participou como ouvinte de cursos para treinadores de basquetebol nos Estados Unidos, Espanha e Brasil

A seguir, Vitor nos fala qual jogada que marcou ele e explica o porquê. Vamos lá!

“A jogada que mais me marcou, que na verdade é uma junção de conceitos ofensivos, é uma do San Antonio Spurs contra o Miami Heat no jogo 3 da Final da NBA de 2014.

Lembro até hoje de assistir a série final desse ano e me apaixonar pela maneira com que os Spurs passaram por cima do Heat com jogadores “menos talentosos”.

Acredito que alguns sistemas de ataque revolucionaram a NBA em suas eras, posso citar alguns exemplos como o triângulo ofensivo do Tex Winter que ficou muito famoso ao ser aplicado pelo Phil Jackson nos seus títulos pelos Bulls e Lakers, que promovia constante movimento e leitura da defesa de todos os jogadores em quadra. Posso falar também do “Seven second or less” de Mike D’antoni nos Suns, que propunha um jogo em transição ofensiva espaçando muito a quadra procurando chutadores livres, o que gerou um aumento enorme em relação a quantidade de arremessos de 3 pontos tentados por todas as outras equipes da NBA nos anos seguintes. E o famoso “Beautiful Game” dos Spurs, que promovia um jogo coletivo através de conceitos ofensivos que dificultavam as ações defensivas.”

Antes da gente continuar, vou tentar mostrar um pouco desse conceito ofensivo que o Vitor está falando utilizando uma motion offense (movimentação ofensiva), para ilustrar a ideia que o Popovich usa nos seus ataques.

Abaixo vou mostrar as regras básicas para fazer um bom motion offense.

Espaçamento – Os jogadores devem tentar ficar separados por 12 a 15 pés. É preciso evitar que os jogadores fiquem muito perto um do outro, pois podem resultar em interceptações e roubos de bola.

Posição de ameaça tripla – Os jogadores de perímetro devem sempre receber a bola na posição de tripla ameaça, onde os jogadores ficam espaçados no perímetro e tem as opções de arremessar, infiltrar ou passar para o companheiro.

Os jogadores de perímetro precisam ser pacientes e segurar a bola por dois segundos, para que possa acontecer os bloqueios e os cortes. Se o passe for muito cedo, os jogadores que forem infiltrar não terão tempo de executar a ação. A exceção é quando a defesa está fazendo um trap (armadilha), então o passe precisa acontecer rapidamente.

O ideal é que quando os jogadores receberem um passe no perímetro, evitem quicar a bola desnecessariamente e sim movimentem ela o mais rápido possível.

Movimentação do jogador – Os jogadores não devem ficar parados. Eles devem se mover com um propósito.

1. Os pivôs podem fazer bloqueios um para o outro, subir até o poste alto para receber o passe para bloquear ou finalizar.

2. Os jogadores que estiverem no perímetro podem ocupar as três posições mostradas no diagrama A e também se mover para as laterais. Eles podem fazer cortes frontais ou no back door e cortes em V, que basicamente é fingir que vai infiltrar e volta para a posição inicial. Também podem ser usados para fazer um pick and roll e o importante, é sempre se mover após o passe.

Os jogadores de perímetro devem manter um bom espaçamento em todos os momentos e fazer com que a defesa fique espaçada. Lembrando que um jogador do perímetro pode fazer um corte para dentro do garrafão, mas o importante é não ficar por lá, para não congestionar a área.

Por exemplo, se O1 corta para dentro do garrafão e não recebe a bola, ela deve imediatamente cortar para o canto oposto e depois para a lateral, enquanto o ala se move para preencher o vazio deixado no perímetro.

Agora que você conhece um pouco de como funciona a movimentação ofensiva, vamos saber por que essa jogada marcou tanto o Vitor.

“Nessa jogada, podemos observar diversos conceitos de ataque que são muito trabalhados pelo Popovich em seus treinamentos, alguns deles:

0,5 segundos: O atleta deve tomar a ação (passar, driblar ou arremessar) em menos de 0,5 segundos, o que mantém a defesa sempre em situação de desconforto impedindo ela de estagnar.

Bom pelo ótimo: Os jogadores muitas vezes irão receber a bola em uma posição boa para arremessar, mas com um ou mais passes extras eles podem encontrar um arremesso ótimo (mais livre, mais equilibrado e dentro do alcance).

Limite de dribles: O atleta deve evitar ficar driblando no mesmo lugar porque isso muitas vezes permite que a defesa consiga se posicionar de uma maneira apropriada para impedir a criação de vantagens do ataque.

Inversão da bola de lado: Toda vez que o ataque inverte a bola de lado da quadra (como no vídeo, ela iniciou no canto direito da quadra e foi para o canto esquerdo), faz com que a defesa tenha que se manter em constante movimento para tentar acertar o posicionamento correto em relação a bola.

Movimentação após o corte com bola: Na ação final da jogada, podemos ver Patty Mills cortando para o fundo da quadra, o que faz com que o Ray Allen vire de costas para o atacante que estava marcando (Ginóbili), porque estava prestando atenção na bola, permitindo assim, o sobrecorte do Manu que recebe o passe livre e finaliza em bandeja.

Mesmo sendo a NBA, a procura por cestas fáceis é muitas vezes determinante para o sucesso de uma equipe, e através desses conceitos e alguns outros, os Spurs conseguiram colocar o Heat na roda finalizando diversos ataques de maneira totalmente livre. Jogando sempre de forma coletiva.  Na jogada descrita, o ataque de San Antonio executa 6 passes em menos de 8 segundos.”

Tendo movimentações como essa, o time texano simplesmente conseguiu ganhar 5 campeonatos da NBA e fazer com que pessoas como o Vitor, fossem marcadas por essas belas jogadas.

Antes de terminar o texto, vale ressaltar que o Popovic sempre enfatizou a importância de ter uma ótima gestão de grupo para conseguir resultados positivos a longo prazo. Por isso, sugiro que você confira uma palestra que ele deu anos a trás sobre o assunto.

Então, o que você achou do segundo texto da série? Você tem alguma jogada que te marcou? Deixe abaixo nos comentários e até a próxima.

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