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O treinador José Neto fala sobre sua passagem pelo Japão, o período de estudos na Espanha e muito mais

Fotos: Staff Images/Flamengo

O treinador José Neto passou com destaque pelo Paulistano, Joinville, seleções de base e como auxiliar-técnico da Seleção Brasileira.

Comandando o Flamengo, ele teve seis temporadas vitoriosas. Onde ganhou quatro títulos do Novo Basquete Brasil, uma Liga das Américas, cinco estaduais e um Torneio Intercontinental de 2014.

Nessa semana eu tive a honra de conversar com o treinador e ele falou sobre a sua passagem pelo Japão, o período de estudos na Espanha e muito mais.

Confira a seguir!

 

Felipe Souza – Depois da sua saída do Flamengo, como foi a sua passagem pelo Japão e qual a principal diferença que você viu do basquete de lá em comparação ao nosso?

José Neto – As portas para que eu pudesse trabalhar no basquete internacional se abriram após a minha participação como técnico da seleção brasileira no Mundial sub-19 na Servia em 2007, na qual terminamos a competição em quarto lugar do mundo. Sempre tive vontade de dirigir uma equipe fora do Brasil. Como nos últimos anos eu sempre estive trabalhando com a Seleção Brasileira (2004 até 2016) e com contrato com o Flamengo (2012-2018), as oportunidades que apareceram foram ficando em segundo plano. Quando estes vínculos (Seleção e Flamengo) terminaram, eu coloquei como prioridade realizar este desejo. Tive propostas de alguns outros países mas o que mais me chamou a atenção foi a proposta do basquete japonês. Porque? Porque é uma liga nova, competitiva internamente e tinha muita vontade de voltar ao Japão (estive com a seleção brasileira no mundial em 2006).

As diferenças são muitas. Como os jogadores que decidem na maioria das equipes são os estrangeiros e os estrangeiros são os jogadores da posição 4 e 5, taticamente o jogo interior é muito acionado e os conceitos começam a partir destas ações. São muitos jogos (60 jogos da temporada regular), por isso, as equipes treinam pouco durante a temporada, fazendo com que os treinamentos sejam pra ajustes táticos em sua maioria. Enfim, é um basquete bem diferente do que vemos no Brasil.

Felipe – Após a sua passagem pela a equipe do Japão, você parece ter tirado um “ano sabático” para se aperfeiçoar. Vi que você acompanhou de perto a preparação da seleção da Espanha e o time do Real Madrid. Como foi essa experiência com a seleção espanhola e poder estar vendo de perto o trabalho do ótimo treinador Pablo Laso?

Neto- Na verdade, não tive um “ano” sabático mas talvez alguns meses depois que me desliguei da equipe do Japão para fazer coisas no basquete que não tive oportunidade anteriormente. Fui para a Espanha com o preparador físico Diego Falcão, com quem tenho trabalhado nos últimos 12 anos nas equipes que dirigi. Pudemos assistir à Copa do Rei na Espanha, acompanhar a seleção espanhola nos treinamentos para a ultima janela FIBA e acompanhar alguns treinamentos e jogos do Real Madrid. Uma experiencia muito válida!

Na seleção foi muito interessante acompanhar de perto o trabalho que esta sendo liderado pelo Sergio Scariollo, que além da sua experiencia dirigindo equipes de alto nível FIBA, agora agrega uma experiencia que esta tendo na NBA como assistente do Toronto Raptors. Já no Real Madrid, alem dos treinamentos e estar muito próximo a Comissão Técnica liderada pelo Pablo Laso, tivemos a oportunidade de conhecer toda a estrutura do clube. Conhecer como funciona todo o processo desde as equipes de base até o time adulto (primeira equipe).

Felipe – Na sua opinião, o quão é importante um treinador ter esse período de estudo?

Neto – Na minha opinião é fundamental. Isso pode partir do próprio treinador ou de uma forma organizacional como acontece na Argentina por exemplo, onde os treinadores são obrigados a participar de uma clinica anualmente oferecida pela Escola Nacional de treinadores para poder revalidar sua licença e atuar na temporada. Este período de estudo é importante para que os treinadores possam compartilhar conhecimentos e experiencias vividas e assim evoluir como classe e profissional.

Felipe – Além de ver os times adultos, vi você assistiu algumas partidas de base. O trabalho com jovens no Brasil, é um dos pontos que acho crítico por aqui. Você também vê dessa forma? E se sim, o que você acha que podemos melhorar?

Neto- Esta competição é a Mini Copa, um torneio sub-14 que acontece paralelamente a copa do Rei. Eu já tinha ido em 2010 em Bilbao e já conhecia a qualidade do torneio. O trabalho com a base, sem duvida nenhuma pode ser melhor aqui no Brasil se compararmos neste caso especificamente com a Espanha. O mesmo deve acontecer se compararmos com países como Sérvia, França e alguns outros países da Europa. Austrália e Argentina também são exemplos a serem seguidos na minha opinião.

Estes trabalhos de qualidade estão muito relacionados de como são preparados os treinadores (professores) que trabalham com as categorias de base. A escola de treinadores nestes países é muito valorizada e atuante. Assim como a Associação dos treinadores. Estas instituições estão muito ligadas aos clubes e federações nacionais., Aqui no Brasil, infelizmente, não temos uma Escola de treinadores. Os treinadores (professores) de base tem procurado capacitar-se por si só, participando de cursos de atualização em outros países e buscando materiais pelos meios tecnológicos que hoje nos permite ter esse recurso de maneira facilitada. Enfim, acredito que para melhorarmos de maneira geral, precisamos ter uma estrutura melhor de capacitação dos profissionais (treinadores e professores) para podermos trabalhar de uma forma mais eficiente com a formação de atletas.

Felipe – Por último, qual o próximo passo na sua carreira? Pretende continuar fazendo esse intercâmbio ou já pensa em assumir uma equipe do NBB na próxima temporada?

Neto – Tive algumas propostas logo que sai do Japão para dirigir outras equipes fora do Brasil. Não aceitei porque tenho um propósito de trabalho. Agora vou esperar para uma nova oportunidade em que possa usar esta experiência que adquiri nestes últimos anos, afim de realizar um trabalho visando construir não apenas uma equipe competitiva, mas construir uma estrutura que possa competir com excelência . Dentro e fora de quadra. Pode ser no Brasil ou no exterior. Esta é a ideia.

Fotos: Staff Images/Flamengo

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